Arquivo diário: 17 de agosto de 2016


PARA OS ADVOGADOS: SAIBAM QUEM É O AGRESSOR DE SEU CLIENTE

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O que você precisa entender sobre os psicopatas – por Júlia Bárány

  • O principal objetivo do psicopata é poder e controle. Tudo que eles querem é ganhar, pois o tribunal é um lugar de jogo, de brincadeira.
  • Os psicopatas adoram o drama da corte. Nem consideram a possibilidade de perder. Mas se isso acontece, eles o consideram um acidente de percurso, e vão atacar de novo. Forçar o alvo a ter despesas legais é um ganho para eles.
  • Psicopatas mentem e o fazem convincentemente. Não se incomodam nem um pouco com mentir apresentando documentos e testemunhos falsos ou fabricados.
  • Psicopatas manipulam outras pessoas para mentir por eles. Essas testemunhas podem nem saber que estão mentindo, convencidas que estão que o que o psicopata lhes contou é a mais pura verdade.
  • O psicopata tenta se limpar jogando sujeira nos outros. Quanto mais correta e íntegra for a vítima, quanto mais qualificada socialmente, profissionalmente, quanto melhor for sua reputação, maior é a necessidade do psicopata de desacreditá-la com uma bem planejada campanha de difamação, baseada nas mais abjetas mentiras. A calúnia perpetrada dessa forma tende a se espalhar com muita facilidade porque incita a vingança movida pela inveja dos outros e assim o escândalo aumenta.
  • Psicopatas não sentem obrigação alguma de cumprir as ordens da corte ou a lei. Só o fazem se perceberem alguma vantagem nisso. São peritos em inventar jeitos de usar a lei a seu favor, com o objetivo de esmagar seu oponente.
  • Seu cliente sofreu abuso e enfrentar o abusador no tribunal é em si uma situação abusiva. O cliente fica completamente incapaz de se defender ou mesmo de parecer equilibrado, dando uma impressão inversa ao juiz, favorecendo o agressor em sua compostura calma e aparentemente equilibrada.
  • Por mais esquisito e inverossímil que lhe pareça a história de seu cliente, comece acreditando. E vá pesquisar e saber o que é um psicopata.
  • Seu cliente sofreu isolamento de seu sistema de suporte, abuso emocional, psicológico, verbal, físico, sexual ou financeiro, e o psicopata o fez duvidar de suas próprias percepções.
  • Seu cliente pode ter Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que é um dano psiquiátrico, não é uma doença mental. Pode ter pensamentos intrusivos, dificuldade de se concentrar e exaustão.
  • Se você não souber defender seu cliente, ele sofrerá novo abuso, dessa vez, abuso legal.

 

“No ambiente urbano os criminosos preenchem o papel natural dos predadores. Enquanto as estratégias que os criminosos usam variam amplamente, existe uma importante distinção entre dois tipos de criminosos, o psicopático e o não-psicopático.

O criminoso não psicopático é o tipo mais conhecido do público. Para esses criminosos, o crime é um mecanismo de sobrevivência que os antropólogos chamam de A Estratégia da Trapaça. A Estratégia da Trapaça se refere simplesmente à vantagem que a trapaça fornece em termos de sobrevivência. Por exemplo, uma pessoa pode gastar oito horas por dia trabalhando para ganhar uma determinada quantia de dinheiro, mas um ladrão pode gastar apenas alguns minutos para ganhar o que o outro gastou oito horas para adquirir. A estratégia da trapaça do ladrão é eficiente quanto ao custo – os ganhos excedem em muito as despesas.

Porém, o homem é um animal social e os trapaceiros são raramente tolerados numa sociedade recíproca em que todos trabalham juntos para os benefícios comuns e participação igual nos frutos. A sociedade desenvolveu a instituição de vingança e castigo como um contrapeso à estratégia da trapaça. Um ladrão que rouba o salário do outro pode estar agindo de forma eficiente quanto aos custos, mas se o ladrão for em seguida apanhado e forçado a servir cinco anos na prisão, ele verá que os custos agora excedem em muito os benefícios.

Portanto, a prevenção de crime requer tornar os custos do uso da estratégia da trapaça maiores do que os benefícios, forçando os criminosos a trabalhar mais duramente e aumentando suas chances de serem pegos. Em outras palavras, fazendo com que o crime não compense.

A estratégia da trapaça costuma ser usada quando as pessoas estão em desvantagem. Pobreza, baixa inteligência e uma educação pobre são as causas básicas de muito comportamento criminoso. A maior parte da literatura sobre segurança contra crime e autodefesa focaliza este tipo de atividade criminosa, defesa contra assalto, prevenção de roubo, defesa do lar e assim por diante. Este tipo de crime tem uma lógica. Uma pessoa tem algo que a outra não tem, e assim esta usa trapaça para adquirir isto. Os métodos empregados não podem ser aceitos, mas dá para entender a motivação dessas ações.

Outro tipo de conduta criminosa cometida por não-psicopatas são os crimes passionais. Esses atos de violência provêm de tormenta emocional e nossos instintos primitivos. Muitas pessoas medíocres são capazes de cometer assalto, estupro e assassinato no calor da paixão especialmente se impulsionadas por drogas ou álcool. Enquanto atos que cometem são patológicos, essas pessoas não são necessariamente psicopatas.

Porém, quando se trata do segundo tipo de criminosos, as motivações básicas se tornam surreais. Os psicopatas certamente usarão a estratégia da trapaça, mas raramente ela é necessária para a sua sobrevivência. O psicopata milionário não hesitaria em roubar uma criança faminta. Obviamente, a sobrevivência do milionário não está em jogo. Não existe uma lógica óbvia de quais motivos poderiam sustentar tal conduta. Os psicopatas costumam evadir a justiça por esta mesma razão. Nos julgamentos criminais, a acusação deve atribuir um motivo para o réu. Porém, no caso dos psicopatas, seus motivos são tão bizarros e estranhos que mesmo se um advogado pode explicá-los, a maioria dos jurados não acredita nele. O psicopata também pode assaltar, estuprar e assassinar, mas raramente é um crime passional. Ao contrário é um plano frio e calculado para ganhar o que o psicopata quer.

De todos os tipos criminosos que habitam nossa sociedade, o psicopata é de longe o mais destrutivo, o mais bem-sucedido e o menos entendido. Por estas razões, qualquer programa de autodefesa precisa começar com um estudo do mais perigoso predador do planeta.”[1]

[1] Verstappen, Stefan. The Art of Urban Survival (A Arte da Sobrevivência Urbana), cap. Defesa contra os psicopatas – uma breve introdução aos predadores humanos, 2011, Woodbridge Press, Toronto, Canada.