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Negligência Emocional Infantil – uma das feridas primordiais que leva você a cair na armadilha do psicopata

Uma ferida primordial muito comum nos sobreviventes de psicopatas é adquirida na infância. É a Negligência Emocional Infantil. Por incompetência dos pais ou cuidadores, ou porque seu pai ou sua mãe são narcisistas, você aprendeu que seus sentimentos não importam. Com isso você se desligou de suas emoções, não consegue dizer não, deixa todos se aproveitarem de você, ficando suas necessidades em último lugar, se é que ficam em algum lugar.

Abaixo, um questionário elaborado por Dra. Jonice Webb, especialista em Negligência Emocional Infantil, e considerações dela sobre Por que é importante se recuperar de NEI, Por que é tão difícil viver com o NEI, e Como se recuperar do NEI

“Como descobrir se você sofre de Negligência Emocional Infantil (https://drjonicewebb.com/)

1. Às vezes você sente que está fora do lugar com sua família ou seus amigos?

2. Você se orgulha de não precisar dos outros?

3. É difícil para você pedir ajuda?

4. Seus amigos ou sua família se queixam que você parece desligado/a ou distante?

5. Acha que não alcançou seu potencial na vida?

6. Frequentemente só quer ficar sozinho?

7. Secretamente acha que você pode ser um fraude?

8. Tende a se sentir incomodado/a em situações sociais?

9. Frequentemente se sente desapontado/a ou com raiva de si mesmo/a?

10. Julga-se com mais severidade do que julga os outros?

11. Compara-se com os outros e frequentemente se acha menos?

12. Para você é mais fácil amar animais do que pessoas?

13. Costuma se sentir irritado/a ou infeliz por nenhuma razão aparente?

14. Tem problema em saber o que sente?

15. Tem problema em identificar suas forças e fraquezas?

16. Às vezes sente como se estivesse do lado de fora olhando para dentro

17. Acredita que você é uma dessas pessoas que facilmente viveria como um eremita?

18. É difícil para você se acalmar?

19. Acha que tem algo impedindo você de estar presente no momento?

20. Por vezes você se sente vazio/a por dentro?

21. Secretamente acha que tem alguma coisa errada com você?

22. Você luta com a autodisciplina?

Veja quantas perguntas você respondeu SIM. Essas respostas lhe abrem uma janela para as áreas em que você pode ter vivenciado Negligência Emocional quando criança. Quanto mais perguntas você respondeu SIM, mais é provável que a Negligência Emocional Infantil afetou sua vida.​

A Dra. Janice Webb explica:

Por que é importante se recuperar da NEI?

A maneira como você é tratado/a emocionalmente por seus pais determina como você se tratará como adulto. Isso foi provado repetidamente em estudo após estudo.

A emoção é uma parte inegável da sua biologia. Se você ignorar suas emoções, sentir-se-á ignorado em algum nível, não importa quanto cuidado dedique a si mesmo/a de outras maneiras.

A emoção é a substância de todos os relacionamentos. Se você não está prestando atenção às suas emoções, está deixando de lado uma fonte vital de conexão e alegria.

A inteligência emocional provou ser mais valiosa para o sucesso na vida e no trabalho do que a inteligência geral. É extremamente vital que você saiba como nomear, usar e gerenciar emoções, bem como lidar com isso em outras pessoas.

As pessoas que receberam validação emocional de seus pais na infância geralmente são capazes de fornecê-la automaticamente a seus próprios filhos. As pessoas que não receberam o suficiente provavelmente terão dificuldade em fornecê-lo como pais. É vital reconhecer o que você não conseguiu, para que você possa fazer um esforço consciente para aprender as habilidades que faltam, preencher seus próprios pontos cegos e dar a seus filhos o que você não recebeu.

Por que é tão difícil viver com o NEI?

A emoção se esconde por trás do comportamento. Seu comportamento é impulsionado por sua emoção. Se o comportamento é o carro, a emoção é o motor. Nós vemos facilmente o carro e tudo o que ele faz. Mas para ver o motor, temos que levantar o capô e olhar.

Nós não nascemos conhecendo a linguagem da emoção. A emoção pode ser poderosa, complexa e confusa. Muitas pessoas acham mais fácil simplesmente ignorá-la.

Se você tem pontos cegos emocionais, também fica cego às emoções de outras pessoas, incluindo as de seus filhos.

Como se recuperar do NEI

Preste atenção. Comece a anotar sua própria natureza verdadeira. Do que você gosta, não gosta, fica com raiva, sente medo ou luta? Observe esses aspectos de si mesmo de maneira não julgadora, para se tornar mais afinado/a consigo mesmo/a e com quem você realmente é por dentro e por fora.

Esforce-se para entrar em contato com o que está sentindo, incluindo sua dor.

Faça as seguintes perguntas frequentemente:

O que há de errado?

Porque você fez isso?

Por que você diz isso?

Como você está se sentindo?

O que você quer?

Do que você tem medo?

Com o que você está preocupado?

O que está deixando você com raiva, triste, magoado/a, etc?

Ouça atentamente suas próprias respostas: estas são perguntas difíceis que às vezes podem ser difíceis de responder. Mas o simples ato de perguntar e se sintonizar começa a quebrar o muro entre você e suas emoções.

Lembre-se de que seu objetivo é sentir e gerenciar suas emoções. Este é talvez o passo mais difícil. Quando você consegue discernir o que está sentindo, é hora de aprender a tolerar, controlar e expressar adequadamente seus sentimentos. Essas são habilidades com o poder de mudar sua vida.

Nunca se julgue pelo que está sentindo. É o que você faz com um sentimento que importa. Julgue a si mesmo/a apenas por suas ações, não por suas emoções.”

Comentários e tradução de Júlia Bárány, psicanalista, Mestre em Psicologia Transformacional, co-criadora do Superasas para sobreviventes de psicopatas.


CEGADO PELA ESCURIDÃO – a negação coletiva do mal e seu impacto no tratamento das vítimas

 “A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”

Edmund Burke

Rev. Sheri Heller, LCSW

(original em https://narcissistabusesupport.com/the-collective-denial-of-evil-and-its-impact-on-psychiatric-treatment/?utm_source=Narcissist+Abuse+Newsletter&utm_campaign=45d1d10930-EMAIL_CAMPAIGN_2020_02_24_05_16_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_3459033503-45d1d10930-162615937&mc_cid=45d1d10930&mc_eid=dc29f9f975)

Um terapeuta aconselha uma mulher que foi perseguida e assediada por seu ex-marido psicopata a encontrá-lo num café para abordar o assunto da educação compartilhada dos filhos. Uma jovem mulher com uma somatização severa do traumatismo é informada por seu terapeuta que seu irmão psicopata estava apenas fazendo brincadeiras sexuais quando ele a estuprava vaginalmente com objetos, quando crianças. Um jovem abusado evita o tratamento necessário porque o agressor, seu pai, é um filantropo exemplar. É legítimo o seu temor de ser examinado por médicos que questionam sua sanidade. Por que se exige da vítima o ônus da prova para legitimar seu sofrimento? Por que não se acredita nessas vítimas e por que os facilitadores de uma ciência empírica negam a realidade psicológica do mal?

O mal denota uma ausência do bem. É aquilo que é depravado e imoral. Teodiceia, cunhada pelo filósofo Gottfried Leibinz, é uma construção teológica que tenta responder à pergunta de por que um Deus bom permite a manifestação do mal. Na teodiceia surgem questões quanto aos níveis de vontade, por que o mal existe e se existe uma força demoníaca responsável pelo mal radical. Todas essas questões abordam a caótica força universal do mal, mas, para os propósitos deste artigo, abordaremos o dilema do mal humano, especificamente o mal que infligimos um ao outro e a negação coletiva de sua própria existência, que por sua vez permite a proliferação do mal.

Na religião dentro dos limites da mera razão, o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) afirma que o mal é inato na espécie humana. Segundo Kant, a autopresunção é o traço egoísta responsável pela corrupção moral. Em seu livro seminal, A Máscara da Sanidade (1941), o psiquiatra Hervey Cleckley referiu-se a uma extrema propensão ao mal como um defeito neuropsiquiátrico que alimenta a necessidade de destruir. Na perspectiva psicológica, Cleckley identifica uma medida para o mal como psicopatologia. A psicopatia, conforme descrita por Cleckley, propõe uma face de normalidade. Segundo Cleckley, o psicopata tem a estranha capacidade de ocultar esse defeito neuropsiquiátrico. Cleckley afirma que “eles estão desarmando não apenas aqueles que não estão familiarizados com esses pacientes, mas muitas vezes as pessoas que conhecem bem a experiência do convincente aspecto externo da honestidade”. (Cleckley 2011: 342) Somos enganados, e até iludidos, pelo disfarce de virtude do psicopata, sua loquacidade, calma ostensiva, status e charme. O verniz de normalidade do psicopata pode ser tão transparente que se torna implausível considerar a malevolência por trás da máscara, mesmo para médicos treinados.

Pelo contrário, a exposição prolongada ao abuso e exploração do psicopata resulta em TEPT complexo e, nos piores cenários, DID. As vítimas de psicopatas são emocionalmente, psicologicamente, fisicamente, financeiramente e socialmente devastadas. A visibilidade de suas angústias e sintomas as torna vulneráveis ​​a serem estigmatizados. O sociólogo Erving Goffman definiu estigma como “um fenômeno pelo qual um indivíduo profundamente desacreditado por sua sociedade é rejeitado como resultado do atributo”. (Goffman, 2009: 30) Goffman enfatiza o papel que o estigma desempenha no diagnóstico e tratamento psiquiátrico, expondo sua barreira insidiosa à recuperação e a desumanização e despersonalização que estimulam mais danos e marginalizam as vítimas. Essencialmente, o estigma gera desprezo e desprezo gera culpa. Seguindo essa linha de razão, a vítima estigmatizada é finalmente responsabilizada pelos danos infligidos pelo psicopata. Esse paradigma socialmente darwinista ilustra como a vantagem do psicopata sobre a vítima suporta a sobrevivência do modelo do mais apto. Os mais aptos são elevados, independentemente de seu caráter. Sinais de fraqueza e fragilidade estão sujeitos à condenação. Poder e status são os marcadores relevantes para o que é valorizado e estimado.

Juntamente com o que é visto coletivamente como aberrante ou hierarquicamente correto e, portanto, propício à estigmatização, existem outros preconceitos coletivos elementares aos quais aderimos, apesar de evidências contrárias. Por exemplo, a necessidade de acreditar que o mundo é fundamentalmente justo contribui para a racionalização de que a vítima de alguma forma merece maus-tratos flagrantes. A necessidade de garantir a nós mesmos que somos invulneráveis ​​ao mal nos proporciona um falso local de controle, que novamente muda o foco para a culpabilidade da vítima. O que se desvia da norma cria conflito com a nossa realidade social. Isso gera incerteza e ameaça nossa visão de mundo. Para retornar a um estado de equilíbrio percebido, podemos limitar a intrusão de novas informações ou pensar sobre as coisas de maneiras que contradizem nossas crenças pré-existentes. Simplesmente negamos o que nos causa angústia. Dado que o mal põe em causa nossa confiança básica na ordem e estrutura do mundo, somos compelidos por nosso instinto de autopreservação a negar a existência do mal e a construir uma realidade que oferece uma sensação ilusória de segurança e previsibilidade.

Meu tratamento de D, que foi abusado por um pedófilo ao longo de muitos anos, é um exemplo desse fenômeno. O pedófilo a quem me referirei como R era um treinador e educador altamente considerado em um subúrbio abastado. Anos após o ataque de D, o FBI prendeu R em uma operação policial. Apesar das evidências irrefutáveis ​​que implicam R, a comunidade veio em defesa de R, citando seu caráter e ações benéficas como prova de sua inocência. Mesmo quando surgiram as alegações de abuso sexual feitas por uma criança adotiva sob os cuidados de R, a credibilidade da criança foi ironicamente prejudicada por seu status estigmatizado como uma custódia emocionalmente problemática do estado. Esse caso ilustra a capacidade do ego de censurar e reconstruir informações angustiantes para manter a consonância. Em uma escala global, vemos as mesmas defesas empregadas em resposta a alegações de abuso sexual e encobrimentos do clero perpetrados pela igreja católica. O psiquiatra Andrzej Lobaczewski estudou o que ele chamou de ‘pathocracia’, sistemas institucionais e governamentais compostos por oficiais de alto escalão que apresentam traços psicopáticos. Lobaczewski atribuiu a ignorância e fraqueza humanas à propagação do mal macrossocial. Assim, apesar da hedionda história da igreja de se alinhar com Hitler e Mussolini, de implementar a Inquisição e Cruzadas e de apoiar as lavanderias de Madalena, as caçadas às bruxas e o genocídio e escravidão nas Américas, África e Austrália, a persistência em defender ideias ingênuas e ilusórias de infalibilidade espiritual e noções idealizadas de virtude supera a responsabilidade e a realidade objetiva. Como sustenta Łobaczewski, as más motivações são mascaradas por uma ideologia humana. Quando os seguidores sucumbem à influência patológica, perdem de vista suas faculdades críticas e perdem a capacidade de distinguir o comportamento humano normal do patológico. O que resulta é um conluio com o mal.

Aqueles que são patologicamente maus são impiedosamente levados a adquirir poder e controle. Eles comandam conformidade e obediência, a fim de atualizar suas agendas. Por isso, são encorajados pela ausência de pensamento crítico e pela dependência de defesas psicológicas primitivas destinadas a negar verdades inaceitáveis. O experimento do psicólogo Stanley Milgram sobre consciência e obediência pessoal esclareceu o quanto somos suscetíveis à influência da autoridade. O ímpeto para o experimento de Milgram foram os julgamentos criminais de guerra de Nuremberg. A defesa do genocídio nazista era uma obediência cega a seguir ordens. Milgram investigou essa explicação testando se os participantes do estudo obedeceriam às instruções para administrar choques elétricos a outros participantes. As descobertas revelaram que a pressão autoritária poderia usurpar o julgamento moral. De fato, 65% dos participantes cumpriram totalmente os comandos para administrar até 450 volts de eletricidade. Este estudo reforça o que os psicopatas entendem – que a inclinação inata de manter e obedecer à autoridade está enraizada em diversos fatores, como medo, identificação com o agressor, necessidade de pertencer etc. etc. Enquanto não houver repercussões graves, ordens dispensadas por um figura de autoridade são geralmente obedecidas, independentemente de se oporem à nossa moral. Essa predisposição oferece ao psicopata vítimas maleáveis ​​e produtivas, maduras para exploração e abuso.

Voltando às perguntas no início deste artigo, podemos reconhecer por que o mal é negado e por que o ônus da vítima do mal humano é legitimar sua realidade e seu sofrimento. As massas, incluindo médicos, são cegadas pela máscara de normalidade do psicopata. Estigmatizamos as vítimas sintomáticas, denunciando-as como inferiores, dada sua instabilidade emocional, concomitantemente a elogiar o psicopata capaz e convincente. Nossa propensão inata de manter o equilíbrio interno e as ilusões de segurança nos obriga a confiar em elaboradas defesas psicológicas para negar informações ameaçadoras. Vemos evidências disso em uma escala global em que a realidade objetiva é diminuída por ideologias enganosas. Nenhum de nós é imune à intimidação de autoridade. O mundo está repleto de líderes em altas posições de poder que são patologicamente maus. Por inúmeras razões, nossas inclinações inatas para conformar e obedecer eclipsam nosso julgamento moral. Inconscientemente, ignorante, descuidada e involuntariamente, conspiramos com o mal com mais frequência do que não.

Então, qual é a panaceia? Como facilitadores da terapia, os profissionais de saúde mental devem entrar em contato com as vítimas do mal. Como prestadores de tratamento, precisamos desafiar vigilantemente nossos sistemas de negação e desmistologizar o mal, se quisermos tratar adequadamente aqueles que procuram nossa ajuda. Isso exige que enfrentemos corajosamente a dura realidade dos perigos da vida, incluindo o potencial para o mal que se esconde por dentro. Jung se referiu às partes não iluminadas e negras da psique reprimidas como sombra. Como Jung explicou, a negação e a repressão da sombra inconscientemente fazem com que ela seja projetada no ‘outro’. Se os médicos de saúde mental negam coletivamente a realidade do mal, para citar Jung, então “… como o mal pode ser integrado? Há apenas uma possibilidade: assimilar, ou seja, elevá-lo ao nível da consciência. ”(Jung, 1970: 465). Trazendo a realidade da influência do mal para a estrutura terapêutica, um fator clinicamente significativo no processo de cura é conscientemente abordado. O lado sombrio da humanidade deve ser reconhecido para que as vítimas do mal possam assimilar o que lhes foi feito. Resumidamente, é nossa responsabilidade ética como terapeutas incorporar a consciência. Somente então podemos realmente reconhecer o mal, recusar a cumplicidade e ser instrumentos confiáveis ​​para ajudar os outros a se curarem dos destroços do mal.

Rev. Sheri Heller, LCSW é assistente social clínica licenciada pelo Estado de Nova York, especialista em dependência química, hipnotizadora ericksoniana e ministra inter-religiosa. Ela é uma psicoterapeuta experiente com mais de 25 anos de experiência nas áreas de dependência e saúde mental. Para mais informações. visite sheritherapist.com

Referências:

Cleckley, H. M. (2011) A máscara da sanidade: uma tentativa de esclarecer algumas questões sobre a chamada personalidade psicopática Whitefish, MT: LLC

Goffman, E. (2009) Estigma: Notas sobre o Gerenciamento da Identidade Estragada Nova York: Simon e Schuster

Jung, C. (1970) Civilização em Transição nas Obras Coletadas de C.G. Jung, Volume 10, Gerhard Adler (Tradutor), R.F.C. Hull (tradutor), Princeton N.J .: Princeton University Press

Kant, I. (1998) Religião dentro dos limites da mera razão, Robert M. Adams (Editor), George Di Giovanni (Editor), G. DiGiovanni (Tradutor), Cambridge Reino Unido: Cambridge University Press

Leibniz, G.W. (1952) Theodicy, Editado por Austin Farrer e traduzido por E.M. Huggard. New Haven: Yale

Lobaczewski, A. (2006) Ponerologia Política: Uma Ciência sobre a Natureza do Mal Ajustada para Fins Políticos, Grande Pradaria: Red Pill Press

Milgram, S. (2009) Obediência à autoridade: uma visão experimental Nova York: HarperCollins Publishers


NARCISTA OU SOCIOPATA? 9 DIFERENÇAS NESTAS PERSONALIDADES PERIGOSAS

(original inglês: https://www.amenclinics.com/narcissist-or-sociopath-9-differences-in-these-dangerous-personalities/

Você conhece alguém que é irritantemente cheio de si ou que parece ter absolutamente zero remorso das suas ações? Você pode chamá-los de narcisistas ou sociopatas. Muitas pessoas usam esses termos de maneira intercambiável, mas são dois distúrbios de personalidade separados. Qual é a diferença e como você pode saber se alguém tem um desses tipos perigosos de personalidade?

Conheça as semelhanças entre sociopatas e narcisistas

Na nossa cultura “selfie”, não é incomum que as pessoas pareçam absorvidas, ajam como se fossem muito importantes, procurem validação ou se sintam no direito. Isso os torna narcisistas ou sociopatas? Não necessariamente. Somente quando essas características são tão extremas que causam problemas no trabalho, na escola, com a lei ou nos relacionamentos – demissão, reprovação, prisão ou perda de entes queridos – é que eles atendem aos critérios de diagnóstico desses distúrbios.

Pessoas com transtorno de personalidade narcisista ou sociopatia, também conhecido como transtorno de personalidade antissocial, compartilham muitas semelhanças. Ambos se consideram especiais, pensam principalmente em suas próprias necessidades e não consideram os sentimentos de outras pessoas. E ambos podem ser irresistivelmente carismáticos, superficialmente charmosos e assustadoramente inteligentes.

Esses transtornos de personalidade são mais comuns do que você imagina. Estima-se que o número de pessoas com narcisismo varie de menos de 1% a mais de 6% da população, e pesquisas mostram que a prevalência ao longo da vida de transtorno de personalidade antissocial varia de 2-4% em homens e 0,5-1% em mulheres. Isso significa que milhões de narcisistas e sociopatas estão povoando nossos bairros, locais de trabalho, escolas e igrejas.

9 diferenças de personalidades perigosas

1. Todo sociopata é um narcisista, mas nem todo narcisista é um sociopata.

2. Ambos machucam pessoas, mas com sociopatas é intencional. Os narcisistas podem tirar proveito das pessoas, mas muitas vezes é uma consequência de seu foco elevado em suas próprias necessidades e desejos e sua falta de consciência de como o que eles fazem afeta os outros. Com os sociopatas, no entanto, explorar ou ferir os outros pode realmente lhes trazer prazer.

3. Os sociopatas são mais perigosos que os narcisistas. Pessoas com transtorno de personalidade antissocial têm maior probabilidade de se envolver em um relacionamento abusivo ou controlador. Também é mais provável que estejam envolvidos em atividades ilegais ou esquemas de fraude financeira. Se você namora alguém assim, está com problemas. Pode ser uma situação muito perigosa. A maioria das pessoas que se envolve em violência doméstica é narcísica ou sociopática.

4. Os narcisistas são realmente inseguros. Por trás de toda a bravata, os narcisistas costumam ter um ego frágil. Eles não conseguem lidar com críticas e geralmente viram a mesa para quem se atreve a apontar uma falha ou erro. Eles são especialistas em dissonância cognitiva.

5. Os sociopatas são atores magistrais. Essas pessoas são camaleões habilidosos, capazes de assumir muitas formas com base no que desejam de um relacionamento.

6. Os sociopatas mantêm contato com seus ex. Os tipos de personalidade antissocial mantêm seus ex por perto quando são benéficos para eles, de acordo com um estudo de 2017 em Personalidade e diferenças individuais. Eles mantêm relacionamentos com as pessoas do passado quando elas lhes proporcionam algo que desejam, como informações, dinheiro, sexo ou admiração.

7. Cérebros narcisistas funcionam de maneira diferente. Um estudo de imagens do cérebro de 2013 no Journal of Psychiatric Research descobriu que os narcisistas têm menos volume de massa cinzenta nas regiões cerebrais associadas à empatia. Outra pesquisa de imagens cerebrais descobriu que pessoas com NPD também têm hipersensibilidade nos sistemas cerebrais associados a redes neurais de angústia e dor social.

8. Os sociopatas têm anormalidades cerebrais. A pesquisa de neuroimagem em uma edição de 2017 da Scientific Reports sugere que pessoas com transtorno de personalidade antissocial podem ter a integridade da substância branca reduzida. Outro estudo de imagens cerebrais no Journal of Neuroscience em prisioneiros descobriu que aqueles com transtorno de personalidade antissocial têm reduzidas conexões em áreas do cérebro relacionadas à empatia e culpa, bem como em áreas associadas ao medo e à ansiedade.

9. O sistema de resposta ao estresse funciona de maneira diferente em pessoas com transtorno de personalidade antissocial. Pesquisas mostram que o sistema nervoso autônomo, que é o que aciona o sistema de luta ou fuga em situações estressantes, não funciona normalmente nessas pessoas. Nas pessoas que não sofrem do distúrbio, passar o sinal vermelho, contar uma mentira descarada ou roubar algo da casa de um amigo aciona o sistema de lutar ou fugir e faz o coração bater mais rápido e acelera a respiração. Não em pessoas com transtorno de personalidade antissocial. Eles simplesmente não se estressam com as consequências de suas ações.

Procurando ajuda

Se você está em um relacionamento com um narcisista ou sociopata, pode ser uma situação perigosa para você. Levar essas pessoas a procurar o tratamento é desafiador porque não admitem que algo esteja errado com elas. Obter tratamento para si mesmo pode ser benéfico para ajudar você a lidar com essas personalidades difíceis ou a se afastar antes que seja tarde demais.

Nas Clínicas de Amen, ajudamos milhares de pessoas a superar distúrbios de personalidade, bem como cônjuges e outras pessoas importantes que precisam de ajuda para viver com essas pessoas. Usamos imagens SPECT cerebrais para ajudar as pessoas a entenderem que seus problemas de personalidade são baseados no cérebro, e não como uma falha de caráter. Este pode ser um primeiro passo muito importante no processo de cura. Para obter mais informações sobre como podemos ajudar, ligue para 844-329-1527. Se todos os nossos especialistas estiverem ajudando outras pessoas, você pode agendar um horário para conversar que seja conveniente para você.


Quando o abuso acontece dentro da família

Incesto e enredo emocional em famílias narcísicas

 por Joanie Bentz, BS, M.ED, BSC / MT

Desde muito pequeno, Joseph morava com sua mãe, pai e avó, além de vários outros irmãos mais velhos. A mãe de Joseph estava sempre controlando. Sempre que Joseph protestava contra as exigências que ela lhe impunha, ela dizia: “Eu sou a mãe, e quando falo, está falado.”

E as demandas eram implacáveis. Em vez de permitir que ele se socializasse com seus amigos, ela queria que ele ficasse em casa para poder sempre monitorá-lo. Não importa o fato de ela nem sequer interagir com ele enquanto ele ficava em casa. Tudo o que ela precisava era que ele estivesse presente fisicamente. O pai de Joseph era viciado em trabalho e nunca estava em casa – o que lhe permitiu evitar confrontar sua esposa.

Quando Joseph se tornou adolescente, sua mãe lhe deu uma margem de manobra. Mas, ainda assim, quando Joseph estava envolvido em eventos e passeios escolares, ela ligava incessantemente no celular dele. Onde você está? Quem está com você? Quando você volta pra casa?

Então, quando ele finalmente foi para a faculdade, os telefonemas eram todos os dias. Ela tentou fazer com que ele se sentisse culpado e obrigado, dizendo: “Talvez a faculdade não seja para você” ou “Você não se importa comigo”. Joseph não queria ir para casa durante as férias ou em alguns fins de semana, então ficava na escola. Sua mãe então ligava e chorava. Com isso Joseph ficava alarmado e sem esperança.

Joseph começou a se culpar. Que filho ruim ele era por deixar sua mãe chateada assim. Quando Joseph uma vez voltou para casa nas férias, sua mãe exigiu que ele participasse de todos os jantares de férias e em família. Joseph se perguntou por que não gostava de estar perto de sua família. Ele logo começou a temer as visitas e seu corpo desenvolveu distúrbios digestivos.

Quando a avó de Joseph faleceu, as explosões de sua mãe se tornaram comuns e sua intromissão inadequada em sua vida se tornou ainda mais pronunciada.

Um dia, a mãe de Joseph disse a ele que encontrou o currículo que ele escrevia em sua mesa e deu à sua irmã para editar. Joseph confrontou sua mãe e disse que ele não deu permissão a ninguém para editar seu currículo. Sua mãe se sentiu ofendida e o acusou de ingrato. Joseph duvidava de si mesmo e realmente se sentia como um filho pouco apreciativo.

Quando Joseph finalmente se mudou para seu próprio apartamento, sua mãe chorou por nunca mais vê-lo. Ela continuou as ligações até que ele cedeu e a visitou quase todos os dias. Quando Joseph se casou e comprou uma casa, a mãe ficou triste e furiosa. Ela o convenceu a vender sua casa para que ele e sua esposa pudessem morar com ela.

“Muitas famílias vivem juntas assim”, ela disse a Joseph. Assim ele não precisaria pagar o financiamento, e economizaria dinheiro.

Por que a mãe de Joseph é tão emocionalmente controladora?

Joseph sempre achava difícil entender o senso de direito de sua mãe. Ela usou seu papel como mãe apenas para controlá-lo. Por quê? Aqui estão algumas possibilidades.

1) A mãe de Joseph pode estar repetindo um padrão desde a infância.

Ela pode estar adotando um comportamento que foi transmitido através das gerações. Sim, muitas famílias vivem com os avós, e essa dinâmica tem sido comum ao longo dos tempos e em todos os grupos étnicos. No entanto, há uma diferença entre habitação intergeracional saudável e não saudável. Podemos viver com nossos pais por todos os motivos errados. A mãe de Joseph viveu com a própria mãe por anos, até que ela faleceu. Agora, a mãe de Joseph procurava substituir a fonte perdida de suprimento – a presença da avó.

2) A mãe de Joseph pode não ter tido um relacionamento apropriado com os próprios pais.

Pode ter havido abuso sexual, emocional e físico. Os pais podem ter negligenciado suas necessidades e, por sua vez, a mãe de Joseph desenvolveu um medo de abandono. Às vezes, ela tratava Joseph como um marido substituto.

3) O pai de Joseph não era um pai presente.

Seu pai era um evitador e não queria confrontar a mãe por seus comportamentos transtornados. Ele está abusando indiretamente de seu próprio filho (por procuração) e permitindo que o controle e o assédio continuem. O pai teria ficado perturbado demais se tivesse que encarar o fato de que sua esposa tinha um grave distúrbio psicológico. Afinal, se ele o reconhecesse, teria que arcar com a grande responsabilidade sobre seus ombros de realmente fazer algo a respeito.

4) A mãe de Joseph pode estar vendo o filho como uma extensão de si mesma.

Todos os seus planos e sonhos fracassados ​​estão sendo realizados através de Joseph, ou pelo menos, essa é a agenda em sua mente. Essa visão do filho o transforma em um objeto para a mãe obter o que não pôde na sua juventude.

5) A mãe de Joseph é muito insegura, sem noção de quem ela é.

A mãe de Joseph está exibindo traços narcísicos, e os narcisistas não sabem quem eles foram criados para ser e não querem mudar seus comportamentos. Eles são vasos vazios.

(traduzido do inglês por Júlia Bárány: https://lovefraud.com/emotional-incest-and-enmeshment-in-narcissistic-families/?utm_source=ActiveCampaign&utm_medium=email&utm_content=Tonight+on+Youtube%3A+13+warning+signs+of+a+controller&utm_campaign=newsletter+021820


PESSOAS TÓXICAS JAMAIS ADMITEM QUE ESTÃO ERRADAS

Holly Riordan

Tradução de Júlia Bárány do original: https://thoughtcatalog.com/holly-riordan/2019/12/toxic-humans-will-never-admit-theyre-wrong/?fbclid=IwAR10lbBjzCEZY4gRugWm4ERqqS8n6XJ5bDtam5NXrtkILsoUYoGhmL5aQ64


Você pode receber um pedido de desculpas de alguém tóxico, mas não será genuíno. Essas pessoas só se desculparão ser for para manipular você a lhes dar o que querem, enganar você a acreditar que merecem perdão. Caso contrário, elas nunca vão admitir que fizeram algo errado. Essas pessoas nunca vão pedir desculpas e deixar por isso mesmo. Sempre haverá algo mais na frase. Virá uma sequência de justificativas para lhe mostrar que você realmente não pode culpá-lo/as, porque a culpa é da ex ou dos pais ou sua.

Essas pessoas sempre tentam atribuir a culpa a outra pessoa porque não têm maturidade suficiente para assumir a responsabilidade por suas próprias ações. Acham que jamais estão erradas. Acham que foram forçadas a arruinar algo por causa de circunstâncias passadas ou atuais, quando, na verdade, dominam totalmente suas próprias decisões. Elas escolhem o caminho a seguir e, se escolherem errado, devem assumir as consequências.

Obviamente, essas pessoas nunca lhe darão as desculpas que você merece. Se se desculparem por trair você, fornecerão detalhes sobre como isso nunca teria acontecido se a outra pessoa não tivesse se jogado em cima delas ou se você estivesse mais disponível sexualmente ou ainda se elas não tivessem tomado aquela cerveja extra no bar.

E se você tiver coragem de enfrentá-las, de expor a falsidade das justificativas, essas pessoas vão virar a situação do avesso. Listarão todas as coisas legais que fizeram por você e o/a chamarão de ingrato/a. Mencionam como você também não é perfeito/a, mas nunca usaram isso contra você. Elas tentarão culpar você, mesmo que tenham sido elas que estragaram tudo.


Pessoas tóxicas nunca vão admitir que estão erradas. Elas nunca vão refletir sobre suas escolhas e chegar à conclusão de que precisam mudar. Não importa o que você faça, ou o quanto você as ame, você nunca vai ganhar uma discussão com elas. Essas pessoas se esforçam ao máximo para provar que são inocentes. Elas vão criar mentiras. Elas vão espalhar boatos. Elas distorcerão a verdade para se encaixar em sua própria narrativa.

Você pode gritar com elas, pode acusa-las ou pode lhes apresentar fatos com calma – nada disso fará diferença. Essas pessoas têm um talento para mudar a realidade. Elas criam sua própria verdade. E elas tentam convencer o maior número possível de pessoas dessa ‘verdade’, então, no final, você é quem parece louco/a. Você é quem parece errado/a.

Quando você se depara com alguém tóxico, a melhor coisa a fazer é se afastar, porque você nunca vai conseguir nada razoável com essas pessoas. Você nunca conseguirá fazê-las ver a situação do seu ponto de vista. Você nunca as fará admitir que foram longe demais. Pessoas tóxicas não pensam logicamente. ELAS SÓ PENSAM EM SI MESMAS.


Culpa e AutoPerdão

de http://aluznamente.com.br/o-autoperdao-para-libertar-se-da-culpa/

A autoconsciência e o autoperdão são duas virtudes fundamentais para a diluição da culpa. Porém, é necessário o treino do autoacolhimento amoroso que precisa ser irrigado pelos cinco sentimentos básicos, a saber: autoestima, autoaceitação, autoconfiança, autovalorização e autorrespeito. Esse exercício viabiliza a nossa autorrenovação por amor e pelo amor. Mas a manutenção do estado culposo impossibilita tudo isso.

Somente o autoperdão nos libera para a reabilitação diante da consciência, se assumirmos a responsabilidade do erro e nos esforçarmos reflexivamente para repará-lo.

A vida são as oportunidades bem aplicadas no presente, no aqui e agora, nunca os fracassos do passado. Todavia, existem os que vivem interligados aos insucessos do ontem, agindo qual aqueles que querem dirigir o automóvel apenas olhando para o retrovisor; com certeza vão causar acidentes. Não se pode permanecer preso às negatividades do passado, é importante ficar atento às oportunidades de cada momento do presente (que é um empréstimo divino que se renova a cada instante).

Esquecer os malogros do passado não significa “não lembrar”, contudo é resignificá-los. Deste modo, embora possa parecer que esquecemos, em verdade, deixamos a recordação num plano não acessível de modo consciente. Ou seja, não ficarmos remoendo o que já passou, porém o que se culpa fica incessantemente remoendo o erro cometido.

Quando nos libertamos do detrito mental, amontoado pelo estigma culposo, principiamos o soerguimento espiritual, e toda uma atividade nova se nos apresenta favorável, abrindo-nos espaços para saúde integral. O lixo mental que herdamos é acumulado pela nossa ausência de conhecimento nos três níveis de ignorância: do não saber, do não sentir e do não vivenciar a verdade. São tais ignorâncias que produzem os entulhos mentais, os insucessos e a fragilidade do Espírito de não se esforçar para superar a própria ignorância.

Considerando nossa fragilidade, precisamos nos conceder a oportunidade de reparar os males praticados, nos habilitando sempre perante a consciência através do autoperdão mormente diante daqueles a quem prejudicamos. Isso não significa anulação da falta que cometemos, porém a concessão da oportunidade de reparação dos desacertos. Portanto, o autoperdão não se funda numa falsa tolerância desculpista dos próprios erros. Isso seria desmazelo moral, cumplicidade e ingenuidade. Antes, o autoperdoar-se  representa a possibilidade de crescimento mental e moral, propiciando direcionamento correto das novas escolhas para o bem-estar pessoal e coletivo.

É impossível alguém melhorar o comportamento da noite para o dia. É indispensável o esforço de enriquecimento moral ininterrupto. O autoperdão é um processo de autorresponsabilidade, fruto do amadurecimento do senso intelecto moral. Com a disposição contínua de reparação dos erros, ampliamos as virtudes através dos graduais esforços no exercício do bem, admitindo que nesse procedimento não nos tornaremos “puros” num piscar de olhos, porquanto ainda erraremos muitas vezes; porém nunca nas mesmas proporções anteriores, porque aprenderemos e cresceremos com os nossos erros.

Quando nos perdoamos, aprendemos a pedir perdão ao outro. A coragem de solicitar perdão e a capacidade de perdoar são dois mecanismos terapêutico-libertadores da culpa. Até porque a saúde mental e comportamental impõe a liberação da culpa, utilizando-nos do valioso contributo do discernimento capaz de avaliar a qualidade das ações e permitir as reparações dos erros e o estado de gratidão quando acertadas.

O equilíbrio entre consciência e comportamento tem um preço: a persistência no dever moral, como aguilhão da consciência e guardião da probidade interior. Em face disso, para nos livrarmos da culpa é muito importante o esforço continuado, paciência e perseverança no dever consciencial. Não nos consintamos abater o ânimo, reabasteçamo-nos nas conexões e diálogos íntimos com Deus através dos sentimentos e pensamentos edificantes que podemos aperfeiçoar em qualquer circunstância.

Façamos os esforços necessários para expandir os pensamentos elevados que devemos cultivar em qualquer situação. Seremos sempre responsáveis pelos efeitos dos nossos atos. Colheremos conforme semeamos. Assumamos, portanto, o nosso compromisso consciencial através do convite amoroso de Jesus. Dessa forma permaneceremos saudáveis intimamente, prosseguindo íntegros nos deveres assumidos, sempre sob a responsabilidade da ação transformadora, sem jamais transferir para terceiros os nossos próprios insucessos.

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF


CURANDO SUA SEXUALIDADE APÓS UM RELACIONAMENTO ABUSIVO

Por Sandra L. Brown, M.A., (tradução livre por Júlia Bárány)

A questão da cura de relacionamentos amorosos patológicos requer que enfrentemos o dano causado e reconhecer os distúrbios de estresse, ou TEPT (transtorno de estresse pós-traumático) que você esteja sofrendo por causa do relacionamento. É preciso mudar sua vida para poder se curar, mudar seu ambiente físico, e aprender a desenvolver um estilo de vida que ajuda você a se curar emocionalmente, psicologicamente, espiritualmente e sexualmente. Nesse artigo vamos falar sobre o efeito sexual dos relacionamentos patológicos e perigosos.

Ironicamente, os efeitos sexuais dos relacionamentos patológicos podem ser também efeitos espirituais. Isso é assim porque muitos efeitos espirituais têm a ver com ligação e vínculo em vários níveis – incluindo o nível espiritual. Num sentido espiritual, nossa constituição é nos vincularmos durante experiências sexuais – especialmente as mulheres.

Estudos recentes sobre hormônios e sexo indicam que os orgasmos sexuais liberam as mesmas substâncias químicas que são liberadas durante a construção de vínculos com o seu bebê!

Este aspecto fenomenológico nos mostra PORQUE é tão difícil sair de um relacionamento, mesmo que seja perigoso. Muitos homens perigosos são hipersexuais e praticam muito sexo. Um monte de sexo é igual a um monte de oportunidades para vínculos sexuais por meio do orgasmo e estímulo hormonal. Faz parte da natureza da mulher manter vínculos, não abandonar nem pessoas nem outros seres vivos. Quanto mais vinculada você se sentir a ele, menos capacidade você tem de deixá-lo. Quanto mais sexualmente vinculada você estiver, (o que provoca a mesma sensação de vínculo espiritual – “ele é minha alma gêmea”) tanto mais difícil e confuso é se desvincular.

Além disso, muitos homens patológicos que são hipersexuais trazem para o relacionamento muitos desvios sexuais. Pela primeira vez na sua vida você pode ter sido exposta a condutas sexuais ou aspectos sexuais que você jamais experimentou antes. Como o abusador é muito bom em manipular, culpar e recompensar sua “lealdade”, ele pode ter coagido você a condutas sexuais que violaram seu senso moral ou seus limites sexuais normais. Talvez ele tenha inserido pornografia no relacionamento, atos sexuais que perturbaram você, experiências sexuais grupais, relacionamentos de estupro, ou outras violações sexuais. Além disso, a maioria dos homens patológicos, na sua hipersexualidade, NÃO é monógama, então você pode ter contraído alguma doença venérea dele.

Essas feridas profundas da alma causam dano não só às suas emoções. Essas feridas danificam sua espiritualidade e se infiltram na sua identidade sexual. Uma mulher se sente tão pervertida no que experienciou que ela pode achar que deve ficar com ele porque nenhum homem “normal” ou “saudável” vai querer ficar com ela depois do que ela fez no relacionamento sexual com o abusador.

Você pode estar se sentindo viciada nele, no sexo com ele, ou no sexo com qualquer um. O que você viveu É de fato abuso sexual no relacionamento. O abusador costuma fazer sua vítima acreditar que ela quis aquele tipo de relação, que ele apenas satisfez o desvio sexual DELA. Lembre-se, eles distorcem e subvertem todos os aspectos da verdade!

Os efeitos colaterais sexuais do relacionamento podem contribuir com o seu transtorno pós traumático geral. É um aspecto que deveria ser tratado para que você possa resgatar sua identidade sexual. Se não for tratado, sua identidade sexual machucada pode fazer com que você continue a agir de forma doentia, a cooperar com os desvios sexuais dele, ou a usar drogas ou álcool para entorpecer seus sentimentos dolorosos.

Isso também pode aumentar seus sintomas de TEPT, sua ansiedade e sua depressão, ou deixar você propensa a ficar em relacionamentos patológicos por causa de se sentir suja ou indigna de relacionamentos saudáveis.

Você também pode ser impactada espiritualmente, afastando você da ajuda e do conforto que sua conexão com Deus poderia lhe dar.

A ÚNICA maneira de viver uma vida suave é curar seu lado sexual e perceber os danos causados à sua sexualidade como parte do quadro geral dos efeitos de um relacionamento perigoso e patológico.

Procure um bom terapeuta para auxiliar você nesse processo de cura. E conecte-se à sua espiritualidade.


DICAS PARA IGNORAR UM NARCISISTA MALIGNO

Por Kim Saeed, (tradução livre de Júlia Bárány), 19/08/2019

Original inglês em: https://blogs.psychcentral.com/liberation/2019/08/6-simple-secrets-to-totally-rock-ignoring-a-narcissist/?utm_source=Psych+Central+Weekly+Newsletter&utm_campaign=13113aadf1-GEN_EMAIL_CAMPAIGN_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_c648d0eafd-13113aadf1-30806681

Chocada e impressionada, você vê o narcisista jogar insultos e acusações contra você – de novo.

Você precisa contra-atacar e se defender, certo?

Isso é exatamente o que o narcisista quer que você faça, para poder continuar sugando você para dentro do vórtice dele. Então, você decide ignorá-lo por um tempo e responder em monossílabos às mensagens dele. Você acredita que isso vai pará-lo.

Mas não pára. Por quê? Porque os narcisistas malignos não conseguem processar e experienciar as emoções como as pessoas normais vivenciam.

Em longo prazo, tudo isso vai voltar para cima de você. Infelizmente, a maioria das pessoas não sabe como reagir às agressões de forma efetiva.

Mesmo assim, é possível alcançar um total livramento do abuso narcisista.

E com um bom tratamento, você sairá mais forte do que nunca. Acredita?

Mas antes é preciso entender como a mente maligna do narcisista funciona e como as pessoas normalmente não entendem o que se deve fazer.

Ignorar um narcisista

Se você passou um bom tempo pesquisando como lidar com um narcisista, provavelmente encontrou soluções, entre elas, o tratamento de gelo.

A dica é você simplesmente se tornar chata, insensível, desinteressante para o narcisista. Se o narcisista não conseguir o suprimento de energia emocional de você, com sua atenção, ele acabará entediado e vai procurar outra fonte de alimento.

O objetivo do tratamento de gelo é continuar a comunicação com o narcisista sem cair na armadilha do interminável ciclo de luta e abuso: o vórtice narcisista.

Na teoria, isso deveria funcionar.

Mas na prática, não é tão simples.

“Ele quer sua atenção, então pare de lhe dar atenção” é igual a “Você tem um problema com o álcool, então pare de beber”, ou “ele é violento com você, então vá embora”. Essa estratégia não funciona para relacionamentos abusivos. Pois os relacionamentos abusivos têm ganchos e armadilhas sutis, invisíveis, fabricadas pelos abusadores, que aprisionam a vítima, que tiram a sua capacidade de agir.

Será possível a vítima ficar totalmente impassível sendo insultada e violentada? Em ser acusada exatamente daquilo que o abusador faz com ela? De ver as mentiras escabrosas, os ataques à sua integridade moral, os roubos de seu dinheiro, seus recursos, sua energia? E por cima de tudo, o abusador se fazer de vítima e angariar “solidariedade” das pessoas contra essa horrível pessoa em que ele transformou sua vítima? Em sã consciência, isso é possível?

Além disso, há situações em que você não pode simplesmente se retirar da presença do narcisista maligno por causa de ligações familiares ou profissionais.

Ignorar o narcisista tampouco é uma boa estratégia de vingança.

O narcisista maligno passou meses, anos, ou até décadas machucando você toda vez que teve oportunidade para tanto. Ele manipulou suas emoções, fazendo você acreditar que ELEé a vítima e VOCÊ a agressora, mesmo em situações em que obviamente ele foi o agressor.

Quando você consegue um instante de clareza e começa a identificar os padrões de manipulação, é muito natural que a sua raiva e sua dor provoquem um desejo de vingança.

Você sofreu terríveis sentimentos de desvalorização, culpa e vergonha – tudo pelo crime de querer ser amada e respeitada como qualquer ser humano merece ser.

Quem não iria querer revidar?

É importante lembrar que essa abordagem não funciona na vida real como parece funcionar na sua imaginação, porque isso implica em evocar as emoções do narcisista, achando que ele vai sentir o que você sentiu.

Nada mais longe da verdade! O narcisista usa as emoções como ferramentas para manipular os outros, ele reage para evocar suas reações.

Não se engane: as emoções dele NUNCA são genuínas e ele usa as suas emoções contra você.

É por isso que simplesmente ignorar o narcisista maligno não funciona.

Todo aquele que já passou por reabilitação do alcoolismo sabe que não se pode parar de beber e ao mesmo tempo manter uma garrafa de vinho no armário.

Um bom e eficiente programa de reabilitação é necessário tanto para o alcoólatra quanto para a vítima de abuso narcisista.

Antes de continuarmos, você precisa desistir de uma vez por todas de sua necessidade de vingança, ou mesmo de solução do processo de abuso que você sofreu nas mãos do narcisista.

A sua vingança efetiva será você construir uma vida plena e feliz, livre do abuso narcisista.

É isso.

E isso será muito melhor que qualquer vingança ou falso senso de solução.

Páre de fornecer ao narcisista o alimento de suas emoções. Ignorar o narcisista apenas o incentiva a continuar rodeando e sugando você. Ele sabe que você quer respeito, dignidade e amor, então ele finge isso para enganar você mais uma vez a achar que ele mudou.

Mas essas condutas têm uma única razão: sugar você de volta como um aspirador de pó. A compaixão que ele mostra é totalmente teatral, nada é real.

Os narcisistas têm sim, empatia, mas não é a empatia das pessoas normais. Eles têm o que chamamos de empatia cognitiva, ou seja, eles entram dentro da mente das pessoas e manipulam suas emoções para proveito próprio. Alguns até mantém uma conduta positiva durante algum tempo, mas só para voltar ao abuso logo mais. Portanto, não se engane. O narcisista não mudou.

Será que você entendeu que mesmo essa tática de você tentar ignorá-lo ele a usa contra você e a favor dele?

Dicas para você se desvencilhar de fato do narcisista perverso:

SEM CONTATO – essa é a única solução permanente. Termine qualquer comunicação com o abusador. Evite locais onde ele possa estar. Evite qualquer possibilidade de encontrá-lo seja pessoalmente seja nas mídias sociais. É o mesmo que estar na proximidade de um animal peçonhento ou uma fábrica que emite vapores tóxicos. Estando perto, você é intoxicada, não há escapatória.

RECONHEÇA O SEU APEGO AO RELACIONAMENTO – você precisa admitir que você tem algum ganho secundário. Senão, por que você ainda continuaria com ele? Você tende a ansiar pelo mínimo de atenção que ele possa lhe dar, assim como um alcoólatra anseia por um gole, mesmo que isso vá destruí-lo. Atenção negativa parece melhor que nada, para você. Ou então você ainda tem ilusões a respeito dele, na cegueira que ele provocou em você.

NÃO SE CULPE – o narcisista não sente emoções e jamais sente culpa. Ele joga insultos e acusações para cima de você, e com isso estabelece um contato, ainda que extremamente negativo. Não ouça os insultos. Não dê satisfação. É tudo que ele espera para sugar você de volta.

ADMITA QUE VOCÊ PRECISA DE AJUDA – assim como na recuperação de drogadicção ou de alcoolismo, você precisa de ajuda, para não ter recaídas. Você corre o risco de ceder à tentação de responder a um insulto, ou aceitar um elogio e pronto, você está de novo no ciclo de abuso. Encontre uma terapia adequada e se cerque de pessoas solidárias, empáticas e prestativas.

IDENTIFIQUE SUAS LIMITAÇÕES – caso o narcisista seja um parceiro de trabalho ou o pai de seus filhos, talvez você não consiga tirá-lo de sua vida totalmente. Essas são as situações em que o tratamento de gelo é o que resta. Fale o mínimo necessário e esteja na presença do abusador o estritamente indispensável. Mesmo assim, você ainda precisa de uma estratégia para evitar que o narcisista a sugue e que você tenha uma recaída.

INSTALE OUTRAS FERRAMENTAS – pense em usar apps que monitoram a comunicação tendo um intermediário entre você e o abusador. Assim vocês terão uma interação a menor possível e será robótica, não direta. Se esse recurso não funciona para você, considere pedir a um amigo confiável (ou um profissional) que sirva de intermediário.

PROCURE UMA TERAPIA ESPECIALIZADA EM ABUSO NARCISISTA

Um narcisista maligno jamais reconhecerá que está errado, então esperar isso é totalmente inútil.

Você não pode controlar o comportamento dele, somente o seu.

Ignorar um narcisista que ignora você não funciona porque é fácil demais um narcisista brincar com sua compaixão e se aproveitar do seu desejo de ser respeitada e amada.

Para empreender um processo seguro e firme de alcançar o SEM CONTATO e se libertar do abuso para sempre você precisa de orientação e ajuda.

Você merece isso e sairá desse abismo mais forte e feliz.

CASOS EM QUE NEM ISSO FUNCIONA (acréscimo de Júlia Bárány)

Há numerosos casos em que o narcisista maligno, ou psicopata, continua torturando sua vítima mesmo quando ela está no processo de reconstrução de sua vida e já há muito se safou desse relacionamento.

É preciso entender que o sucesso da vítima é uma afronta ao poder destrutivo do abusador. Como é que essa vítima ousa superar, crescer e ser feliz? Essa imagem de empoderamento da vítima é vista pelo abusador como ameaça à imagem de vítima que ele espalhou de si mesmo entre as pessoas. Saiba que ele vai fazer absolutamente de tudo para destruir você, com astúcia, mentiras, maquinações, testemunhos falsos, entortamento de fatos, ligações escusas, seduções, discursos, e outras tantas táticas próprias de seres sem responsabilidade, respeito, empatia, compaixão, solidariedade e principalmente integridade moral.

Qual é a saída? Não desista. Continue no seu caminho de integridade, ligue-se a forças espirituais, pois contra essas pessoas dedicadas às trevas um ser humano sozinho não consegue se defender.

A verdade e a luz, no final, sempre vencem.


VICIADO EM NARCISISTA

Por Sheri Heller, tradução de Júlia Bárány, original publicado por Tracy Malone em https://narcissistabusesupport.com/addicted-to-a-narcissist-

Frequentemente encontro pessoas que estão emocional e psicologicamente devastadas pela ruína de um envolvimento romântico com um narcisista maligno. Essas mulheres e esses homens são inteligentes, atraentes e empáticos. No entanto, não conseguem se desvencilhar da insidiosa dinâmica de abuso e violência. Eles estão viciados.

O trabalho de B. F. Skinner com condicionamento funcional nos mostra que o que aprendemos é impactado pelo reforço e pela consequência do castigo/desprazer. Um padrão de intermitente reforço estabelece imprevisibilidade e confusão. O abusador narcisista capitaliza sobre esse fenômeno. A mente da vítima se agita para descobrir o que deve fazer para conseguir reação positiva do abusador narcisista. Eventualmente a dissonância cognitiva se estabelece e a urgência desesperada de discernir uma razão se torna a força motriz.

Nesse ponto, a vítima já está capturada num ciclo viciado e ao mesmo tempo vê o torturador como salvador.

O abusador é deificado pela vítima. A vítima evidencia sinais da Síndrome de Estocolmo, uma forma de vínculo traumático no qual as vítimas se apegam patologicamente ao seu perpetrador.

Este apego patológico é uma estratégia de sobrevivência, que capacita a vítima a se dissociar da dor. Ao negar o horror dessa realidade traumática e adotar a perspectiva do abusador, a vítima afasta a ameaça de desamparo e o terror que de fato vivencia.

O locus de controle da vítima fica centrado em apaziguar e agradar o abusador, mitigando assim o perigo. Com o tempo, a vítima se torna exageradamente identificada com o abusador, ignorando suas próprias necessidades e assumindo a responsabilidade pelo “sofrimento” do abusador. A vítima começa a acreditar que o abuso é culpa sua.

Quando a vítima finalmente chega no fundo e é ou destruída ou descartada pelo narcisista, ou se confronta com as muitas infidelidades, surras, ruína financeira, ou outras formas intensas de abuso, ela/ele pode estar pronto/a para procurar ajuda profissional.

A fim de iniciar um processo de recuperação, é aconselhável a regra do Não Contato, para romper o vínculo tóxico.

A vítima terá o desafio de lidar com sintomas de abstinência, caracterizado pela obsessão compulsiva e transbordamento emocional. Recursos tais como trabalho corporal, meditação e medicação podem ser necessários para estabilizar o sistema límbico desarranjado da vítima.

Conhecimento é poder. Aprender sobre dependência do narcisista e identificar traumas arraigados na sua família de origem que tornam a pessoa vulnerável a ser alvo de vitimização são aspectos críticos da cura. Uma continuidade no tratamento pode penetrar nas profundezas complexas de resgate e reconstrução.

Finalmente, a vida depois do abuso narcisista toma um novo significado para o sobrevivente. Metabolizar a realidade do mal altera a visão de mundo da pessoa. Esta alteração permite ao sobrevivente cultivar limites realistas. Ela incentiva o sobrevivente a se comprometer tenazmente com sua segurança, previsibilidade, e relacionamentos que honram a dignidade pessoal.


REGALIAS DE SER UM PSICOPATA

Por Dr. John Glynn, tradução de Júlia Bárány

(original de 07/07/2019 em: https://psychcentral.com/blog/the-perks-of-being-a-psychopath)

“Sempre trate a todos com respeito. Você nunca sabe quem é um psicopata oculto.” Alex Wayne, Diagnosis

Como é que se identifica um psicopata? Não é nada fácil, mas os pesquisadores já fizeram muitos progressos nas respostas a essa pergunta.

É de conhecimento comum que os homens, mais do que as mulheres, tendem a possuir traços psicopáticos. Por exemplo, um estudo com população carcerária constatou que 31% dos homens atendiam aos critérios, em comparação com apenas 11% das mulheres.

A psicopatia possui várias dimensões dominantes, incluindo Impulsividade Autocentrada, Crueldade e Dominação Destemida. A primeira dimensão, Impulsividade Autocentrada, se associa com impetuosidade, beligerância e narcisismo.

Crueldade se relaciona com incapacidade de experimentar importantes emoções sociais como amor ou remorso.

Os psicopatas, a quem claramente falta empatia, estão em desvantagem – ou assim é que se pensa. No entanto, a empatia requer a consideração dos sentimentos dos outros, colocar-se no lugar dos outros. Colocar-se exige energia. Acontece que os psicopatas não reconhecem nenhum “colocar-se”, a menos que isso envolva passar por cima dos outros para conseguir o que eles querem.

A empatia é construída sobre uma base de emoções. Embora vitais para a conexão e o significado nos relacionamentos, as emoções costumam enublar o julgamento. Quando extremadas, as emoções podem de fato impedir a capacidade do pensar crítico. Lembrem-se, estamos em 2019, o ano em que as massas estão supersensíveis, com as emoções constantemente enublando o pensamento racional.

O psicopata, livre de seus grilhões emocionais, está bem equipado para agir de forma irrestrita e impiedosa. Má notícia para a sociedade… mas não para o psicopata, especialmente aquele que se consome com pensamentos de poder e prestígio.

Dominação Destemida, a terceira dimensão da psicopatia, está associada à insolência e ao desejo por influência social. Contrário à crença popular, a Dominação Destemida é acompanhada por vários comportamentos socialmente adaptativos. Equipados com um senso de elegância e poder interpessoal, temeridade física e resiliência emocional, alguns psicopatas alcançam grandes feitos. Alguns até se tornam heróis.

Um artigo de 2015, intitulado “Psicopatia bem-sucedida”, apresenta aos leitores um homem chamado Forest “Tommy” Yeo-Thomas, um demônio atrevido da vida real. Usando diversos disfarces e documentos falsos, o espião britânico da Segunda Grande Guerra regularmente escapava de ser capturado pelos nazistas. Segundo os autores, Yeo-Thomas numa ocasião fingiu ser um cadáver viajando num caixão.

Conhecido por seus inimigos como o “Coelho Branco”, Yeo-Thomas certa vez pulou de um trem em movimento. Num gesto diretamente saído de um filme de Liam Neeson, o nosso herói (anti-herói?) certa vez estrangulou um guarda carcerário com suas mãos. Quando Yeo-Thomas não estava ocupado estrangulando nazistas, ele estava ocupado seduzindo belas mulheres.

A maioria das pessoas, presumo, não conhecem a vida e a época de Yeo-Thomas. No entanto, a maioria conhece James Bond, sua encarnação ficcional. Sim, Yeo-Thomas inspirou o herói ostentoso, maníaco sexual, bebedor de Martini do romancista Ian Fleming. O espião WW2 é típico do que na profissão chamamos de “psicopata bem-sucedido”. Diferente da psicopatia maligna, que costuma envolver atos criminais e prisão, o “psicopata bem-sucedido” abraça as trevas para alcançar sucesso de vida real.

Será que os “psicopatas bem-sucedidos” evitam transgredir a lei porque é “certo”? Não, eles evitam transgredir a lei porque isso faz sentido. Ao manter seus impulsos na rédea curta, ou pelo menos canalizando-os numa direção mais lucrativa, os “psicopatas bem-sucedidos” costumam chegar a ocupar cargos de real importância.

Então, que tipo de profissões atrai psicopatas? A pesquisa já mostrou que psicopatas são mais prevalentes em determinadas ocupações. Não é nada surpreendente que eles tendam a gravitar para posições de poder – pense em CEOs, cirurgiões, advogados, celebridades e políticos.

O vínculo entre política e psicopatia é especialmente interessante. Em 2004, cientistas pediram a 121 biógrafos presidenciais que avaliassem 42 presidentes dos Estados Unidos, até inclusive George W. Bush, quanto aos seus traços pré-eleição de Dominação Destemida, uma das três dimensões de psicopatia. As descobertas são de leitura interessante. De acordo com o relatório, Dominação Destemida estava fortemente correlacionada com o desempenho presidencial em geral, sua orientação, percepção do público, persuasão, e, bem previsivelmente, disposição para arriscar.

OK, sabemos muito sobre quem pode ser um psicopata, mas e quanto ao onde? Existem determinados lugares nos Estados Unidos onde os psicopatas tem maior probabilidade de aparecer e poluir o ambiente social?

Felizmente para nós, um estudo recente publicado no diário científico Helyon nos fornece uma resposta inequívoca. Segundo os autores, que estimaram a prevalência de psicopatia baseado nos Cinco Maiores traços de personalidade de ordem superior (Abertura para a experiência, Conscienciosidade, Agradabilidade, Extroversão e Neuroticismo ou instabilidade emocional), Washington D. C. tem a maior prevalência de psicopatas. Mestres vigaristas, exímios manipuladores malignos (Svengali), faz sentido que psicopatas se arrebanhem numa região dos Estados Unidos sinônima de poder e influência política.

Como o inimitável Jon Ronson escreveu certa vez: “Psicopatas fazem o mundo girar… a sociedade é uma expressão desse tipo específico de loucura… Eu sempre acreditei que a sociedade fosse uma coisa fundamentalmente racional, mas e se não for? E se for edificada sobre insanidade?”

O antigo ditado reza que nunca estamos a mais de dois metros de distância de um rato. Talvez a mesma coisa possa ser dita de psicopatas.