TERAPIA PODE AJUDAR OS PSICOPATAS?

(tradução livre por Júlia Bárány de trecho do texto de Donna Andersen, em https://lovefraud.com/can-therapy-help-a-psychopath-3-key-factors/)

 

Eis três fatore que influenciam o sucesso ou insucesso em qualquer caso específico:

 

  1. Qual é o nível do distúrbio do indivíduo?

A psicopatia bem como outros distúrbios de personalidade é altamente genética, o que significa que a pessoa já nasce com a predisposição para o distúrbio, que se desenvolve de acordo com o ambiente em que essa pessoa cresce, como ela é educada, em que meio familiar ela está e quais são as circunstâncias de vida.

Algumas crianças vêm com uma predisposição muito intensa para o distúrbio, a que chamamos de “insulto genético”. Nesses casos, mesmo a melhor educação familiar pode render resultados muito limitados.

 

  1. Qual é a idade do indivíduo adequada para iniciar terapia?

Quanto mais cedo, melhor. Quando os pais ou cuidadores percebem que tiveram um filho com um psicopata, devem pegar muito essa criança no colo e ensinar-lhe a apreciar o contato humano. Talvez faça efeito. Talvez…

Conforme cresce, os padrões antissociais de comportamento se estabelecem, e quando se torna adulto, a terapia não terá efeito algum.

Pesquisas mostram que a terapia em adulto piora a situação porque ele aprende novas formas de manipular pessoas.

 

  1. Como definir sucesso?

Qualquer programa afiliado a um sistema judicial mede o sucesso na proporção em que consegue manter o indivíduo sem reincidir no comportamento que o levou à prisão. Isso significa que seu impulso está sendo controlado, não que essa pessoa desenvolveu empatia ou consciência.

 

Portanto, é importante entender que:

Se você tem esperanças de que terapia vá ajudar um adulto portador de distúrbio de personalidade a se importar com os outros e se conectar com seres humanos, desista, pois isso não vai acontecer. Uma vez que uma pessoa foi diagnosticada com psicopatia ou outro distúrbio de personalidade, você estará se enganando se achar que com amor e terapia esta pessoa irá se transformar num parceiro amoroso e respeitoso.

 

Até hoje não se confirmou clinicamente que qualquer terapia possa ajudar crianças ou adultos portadores de distúrbios de personalidade a se curarem.

 


POR QUE O PSICOPATA/NARCISITA ESCOLHEU JUSTAMENTE A MIM?

(considerações de Júlia Bárány a partir de um texto de Christine Louis de Canonville)

 

Será que foi um encontro ao acaso, e simplesmente foi azar meu de tê-lo conhecido?

É muito, muito improvável que o narcisista tenha aparecido na sua vida por acaso. Ao contrário, eles costumam escolher suas vítimas a dedo, ou atraídos por sua beleza, seu intelecto, seu conhecimento, seu status, seu dinheiro, sua popularidade. Enfim, algo que você tinha e que ele queria.

Mas um traço em comum todas as vítimas têm: empatia.

E o que é ser empático?

É ser intuitivo, sintonizar-se imediatamente com o que o outro sente, deseja, pensa, e se ligar emocionalmente com quem estiver ao redor. Há os empáticos retraídos, que se isolam para não sofrer tanto a dor dos outros, para não se contaminar tanto com a negatividade. Há os empáticos pacificadores. Estes são humildes, não alardeiam suas conquistas, não precisam ser o centro das atenções. Cedem esse centro generosamente para quem precisa. Veem o bom nos outros, são compreensivos com as limitações dos outros, se compadecem. Por valorizar a harmonia, procuram resolver tudo de forma pacífica, conciliadora. Detestam a injustiça e a crueldade, costumam lutar pelo direito dos outros, mas infelizmente pouco lutam pelos próprios.

As pessoas empáticas atraem os psicopatas como a luz atrai as mariposas.

Os psicopatas sabem que as pessoas empáticas compreenderão o comportamento ridículo deles por muito mais tempo que outras pessoas.

Quando a pessoa empática começar a perceber o que está acontecendo no relacionamento, já é tarde. Ela já estará sugada de tudo: sua energia, seus relacionamentos, suas relações profissionais, seu dinheiro, num estado deplorável de devastação.

Os psicopatas são ávidos por amor e atenção e as pessoas empáticas os dão generosamente. Por ser honestas e abertas, jamais imaginam que alguém é capaz de manipular os outros para seu próprio benefício.

As pessoas empáticas são leais, dedicadas e altruístas nos relacionamentos. Lutam para manter seus relacionamentos, sacrificam-se, e o psicopata sabe disso. Ele tem um prazer sádico em manipular o relacionamento para obter o que quer. Sendo um exímio ator, sabe como se fazer de vítima e evocar compaixão da pessoa empática.

Portanto, não é por suas fraquezas que o psicopata escolheu você. Muito pelo contrário! É por suas virtudes.

O problema é você ter as virtudes ou é o psicopata usar suas virtudes para manipular você?

O problema é você não ter visto a farsa e ter caído na armadilha, ou é o psicopata que armou a armadilha?

Acusar você seria virar tudo do avesso.

Não permita que as pessoas acusem você!

Elas estão cegas, não sabem, ou não querem saber.


NARCISISTA: UMA LISTA RÁPIDA DE VERIFICAÇÃO

Elaborada por Christine Louis de Canonville – http://narcissisticbehavior.net/

 

  1. Tem duas caras, fala mal dos amigos e da família pelas costas.
  2. Tendência a culpar os outros por seus fracassos e por seus insucessos.
  3. Age de forma diferente em público e na intimidade.
  4. Irresponsável e inconfiável.
  5. Arrogante, age com superioridade diante das pessoas mais próximas.
  6. Vive num mundo de fantasia que pode incluir pornografia, flertes, casos e sonhos de sucesso e fama ilimitados.
  7. Viciado nessa conduta fantasiosa.
  8. Mente, distorce fatos e muda eventos para servir seus interesses.
  9. Irresponsável com dinheiro.
  10. Emocionalmente distante e indisponível a não ser que queira algo.
  11. Falta de compaixão pelos outros, especialmente com aqueles a quem explora.
  12. Muito controlador e incapaz de relaxar.
  13. Provoca regularmente as pessoas e as culpa pela briga.
  14. Tem problemas em admitir seus erros.

AS TRÊS PERGUNTAS

O MODO DE AGIR DO PSICOPATA EM TRÊS PASSOS

Por Donna Andersen, traduzido por Júlia Bárány

(https://lovefraud.com/the-sociopathic-mo-in-three-easy-steps/)

 

Tenho um amigo que perdeu a esposa falecida de câncer. Um ano depois ele começou a procurar companhia. Meu amigo conhecia minha história de envolvimento com um psicopata, de fato, ele chegou a conhecer o meu ex, James Montgomery. Então, ao passar por uma bizarra experiência com uma mulher com quem se relacionou durante algumas semanas, meu amigo tinha perguntas a me fazer.

A mulher dizia estar separada do marido, embora eu não acredite nisso. Ela ficou dando em cima do meu amigo incessantemente, até que eles tiveram um encontro sexual. Num determinado momento ela comentou algo como “um leão precisa de carne fresca”. Depois disso, eles passaram um dia inteiro juntos, e logo ela o descartou sem a menor cerimônia.

Meu amigo me perguntou, essa mulher é um crocodilo como o meu ex?

Ele me contou mais, e deu para perceber que a mulher tinha traços psicopáticos, mas talvez não todos eles. Então discutimos este tipo de personalidade. Uma das conversas foi assim:

Meu amigo: “O que os psicopatas fazem primeiro quando conhecem você?”

Eu: “Avaliam você para verificar se você tem algo que eles querem.”

Meu amigo: “O que os psicopatas fazem em segundo lugar?”

Eu: “Buscam suas vulnerabilidades.”

Meu amigo: “E depois?”

Eu: “Depois eles calculam como usar suas vulnerabilidades para manipular você.”

 

O modo de agir do Psicopata

 

Esta conversa curta identificou o modo de agir do psicopata, ou modus operandi. Ei-lo aqui:

  • Você tem algo que ele ou ela quer?
  • Quais são suas vulnerabilidades?
  • Como ele ou ela pode manipular suas vulnerabilidades para conseguir o que quer?

 

Oportunidades de alimento

 

Eis outra verdade brutal: os psicopatas consideram todas as interações sociais como oportunidades de se alimentar.

Então o que é que eles querem de seus alvos? Em muitos casos, a resposta é óbvia: sexo, dinheiro, um lugar para morar, alguém para sustentá-los.

Mas temos que lembrar também que às vezes os psicopatas só querem divertimento. Eles querem a diversão de manipular alguém a fazer o que eles querem. Eles ficam excitados em controlar seus alvos. Esses trapaceiros alimentam seus desejos primários sobre os quais escrevi antes: os desejos de poder e de controle.

Meu amigo mal conseguia acreditar no encontro com o predador feminino. Assim como para todos nós, para ele estava sendo muito difícil compreender como essas pessoas de fato não têm coração.


EU NÃO CAIO NESSA, AH, EU NÃO!

O JORNAL WALL STREET explica que qualquer um pode ser enganado

Leitores sofisticados do Jornal de Wall Street, cuidado: Vocês podem ser enganados, assim como qualquer um de nós.

O seguinte artigo de Susan Pinker apareceu na edição do último fim de semana:

Você não pode ser enganado, não é? Não conte com isso.

Eis o resumo dos pontos principais do artigo:

– 35 milhões de americanos caem na armadilha todos os anos, de acordo com a Comissão Federal do Comércio.

– uma das razões de cairmos no engodo é porque somos programados biologicamente a confiar e cooperar.

– a pesquisa aponta que conseguimos detectar uma mentira somente cerca de 50 por cento das vezes.

– o inconsciente consegue detectar mentiras talvez melhor do que o foco racional.

Portanto, se você foi enganado ou ludibriado – e se você se envolveu com um psicopata, provavelmente sim – não significa que você é um tolo. Significa que você é humano.

Oh, sim – e um trapaceiro dificilmente se parece com o sujeito da foto.

 

(tradução livre por Julia Barany de: http://www.lovefraud.com/2017/04/05/wall-street-journal-explains-that-anyone-can-be-conned/)


A VIOLÊNCIA INVISÍVEL 4

É invisível não porque as pessoas não têm olhos, mas porque não conseguem ver, ou não querem ver.

Muitas vezes não existe foto do abuso, corpo de delito, provas, pois como se pode fotografar abuso psicológico?

Os sinais estão todos aí, explícitos, as crianças estão sofrendo, a vítima está sofrendo, mas como o agressor se apresenta como um homem de bem, com charme e amabilidade, com desenvoltura, com ar tranquilo, ninguém consegue ver a violência e a crueldade que ele pratica na intimidade.

Então as vítimas são retraumatizadas pelo nosso sistema judiciário cego, pelos profissionais de saúde ignorantes dessa realidade, pela família e pelos amigos que acabam culpando a própria vítima de ter caído na armadilha, numa atitude típica de quem não quer olhar para si mesmo, preferindo mandar o bode expiatório para o deserto pagar pelos pecados de todos.

É uma realidade tão absurda que de fato é extremamente difícil conceber e muito mais de aceitar. Parece fantasia alucinatória inventada pela vítima. Assim é porque o manipulador convence a todos, com sua lábia e sua tranquilidade de que o culpado é o outro, ou seja, a vítima. Assim é também porque a vítima de fato parece ter perdido a razão. Mas ninguém vê PORQUE ELA PARECE LOUCA!

A vítima tem todos os sinais de trauma, chora, se desespera, tenta contar aos outros o que de fato aconteceu e ninguém acredita, está com a saúde abalada, sem dinheiro e sem capacidade de se reerguer. A vítima sofreu abuso psicológico, emocional, relacional, profissional, econômico e foi afastada de todo o sistema de apoio que poderia ter.

Enquanto em público, o abusador faz papel de marido exemplar, de pai amoroso, querendo transmitir a imagem de família perfeita. Na intimidade, alterna as máscaras: uma hora é médico, outra, monstro. E a vítima nunca sabe quem vai aparecer dessa vez, ficando em estado de alerta constante, adrenalina circulando doidamente pelo corpo, tirando o sono, a capacidade de funcionar e de pensar direito. A vítima é submetida a tortura psicológica que a leva a duvidar de si mesma, de sua própria sanidade, e ela acaba dando razão em tudo ao abusador. Na tentativa de minimizar o inferno no qual se transformou sua vida, acaba dando tudo para o abusador: seu tempo, sua atenção constante, seus bens, o controle sobre sua própria vida. A vítima passa a orbitar ao redor do abusador, sua vida não tem mais outro sentido a não ser esse.

A vítima entra num estado de zumbi. Ela nem se reconhece mais, muito menos os outros a reconhecem. Está gasta, feia, louca. Uma megera. Pensa em acabar com a própria vida, pois qualquer alternativa parece melhor do que o inferno que está vivendo. É um perfeito motivo para o abusador olhar comiserado para sua ex, ou quase ex, e justificar o seu afastamento e sua busca de consolo e afeto nos braços de outra (substituta que ele já estava sondando antes desta fase de destruição da vítima atual, pois ele jamais fica sem alguém para vampirizar).

Esse distúrbio de personalidade tem sido estudado e diagnosticado há vários anos, entre os estudiosos mais profundos Robert Hare, que publicou o livro: Sem consciência, o mundo perturbador dos psicopatas que vivem entre nós, e Serpentes de terno.

Há muito mais psicopatas no meio de nós do que nas prisões. Uma pequena parte chega a cometer crimes hediondos com as próprias mãos. Os outros estão nas famílias, nas empresas, nas instituições, nas profissões, camuflados sempre para poderem agir de acordo com sua natureza de vampiro e de torturador que tem prazer em torturar. A manifestação depende do grau de sutileza que o psicopata atinge, de acordo com sua cultura, sua educação e seu ambiente.

Existe um diagnóstico infalível que é dado por meio do Petscan, que é a imagem do cérebro em funcionamento. No psicopata, a região orbito-frontal, logo atrás dos olhos, se apresenta azul, o que significa falta de atividade. Em pessoas normais, essa região se apresenta de amarelada a vermelha. Ela é responsável por processar sentimentos nobres humanos como solidariedade, respeito, responsabilidade, compaixão, empatia, afeto, amor.

Então, como é que essa criatura que se apresenta em público como amorosa, preocupada com os filhos, a “esposa”, passa indetectada perante os olhos dos outros?

ESSA CRIATURA FINGE.

O psicopata tece uma trama extensa e bem articulada de mentiras. Convence a todos da veracidade desses fatos que fazem parte, portanto, de uma obra de ficção que ele vai construindo ao longo de sua vida.

E você que acreditou nele, caiu na trama, fazendo-o se regozijar ocultamente com o sucesso de sua manipulação.

A violência é invisível. Nem você percebe que foi violentado no seu senso de verdade e de justiça.


AS TÉCNICAS DO ABUSADOR

O abusador mantém seu parceiro ou seus filhos entre ciclos de dor e de resgate amoroso. Com esta tática o narcisista ou psicopata provoca uma grande quantidade de estresse e ansiedade (são liberados hormônios de estresse como cortisol e adrenalina). Logo quando volta a fase da lua de mel, alivia a tensão com sua nova doçura fingida, e a vítima, depois de ser ignorada e maltratada, experimenta uma onda de euforia devido à liberação de dopamina e ocitocina (hormônios do bem-estar). Assim é que se produz o que se conhece como “vinculação por trauma” ou “Síndrome de Estocolomo doméstica”, a vítima crê que o abusador pode libertá-la dos sintomas dolorosos que padece sem se dar conta de que é o abusador quem os provoca. Esses ciclos repetidos de dor e de resgate são psicologicamente devastadores, tanto é que é o mesmo método utilizado em alguns interrogatórios policiais (este tipo de técnicas são ilegais) para obter a confissão de um detento que acaba aceitando ser culpado embora seja inocente por causa tortura mental a que é submetido. Os sociopatas e narcisistas são absolutamente conscientes do que são e do que fazem, utilizando técnicas provadas de controle e subjugação psicológicos.

Dr. Inaki Piñuel (traduzido do espanhol por Júlia Bárány)


PORQUE PSICOTERAPIA NÃO FUNCIONA COM PORTADORES DE DISTÚRBIOS DE PERSONALIDADE

  

Donna Andersen entrevista Dr. George Simon, psicoterapeuta, autor, transcrição livre por Júlia Bárány (https://www.youtube.com/watch?v=_blTeYKeLRU&feature=youtu.be)

 

A psicoterapia convencional não foi criada para tratar distúrbios de personalidade e sim para tratar indivíduos que estivessem lutando com medos, insegurança, angústias, vergonha, culpa, sobre o que não tinham consciência. Essas ocorrências causam ansiedade e sintomas físicos de ansiedade, e a terapia tinha o objetivo de ajudá-los a descobrir as causas e lidar com elas. Essa é a definição de neurose. Distúrbio de personalidade é algo muito diferente de neurose. É diferente de neurose em múltiplas dimensões, e quanto mais sérios os distúrbios de personalidade tanto mais sérias as diferenças dos problemas que as pessoas neuróticas têm e com os quais precisam de ajuda.

Alguns padrões de pensamento que os portadores de distúrbios de personalidade manifestam são: egocentrismo e megalomania – ele/ela é tão especial e importante que pode fazer qualquer coisa. Junto com isso, vem a convicção de que ele/ela tem o direito de fazer o que quer fazer num relacionamento sem arcar com as consequências. O modo como pensamos afeta o nosso comportamento. Portanto, o comportamento dessas pessoas advém dessa premissa, e por isso a total desconsideração com o outro.

Outro exemplo é a possessividade. Considerar os outros ou aquilo que ele/ela quer como suas exclusivas propriedades faz com que essa pessoa aja como bem entender em relação a essas “propriedades”. Esse modo de pensar é muito comum especialmente numa relação de abuso. O outro, nesse tipo de relacionamento, é um objeto utilitário e não uma pessoa a ser respeitada.

Os terapeutas precisam conhecer esses mecanismos para saberem como ajudar a vítima. É um problema extremamente difícil, e as abordagens tradicionais de fazer o paciente “olhar para dentro”, de convencê-lo de que o problema é dele, não ajudam.

Entender que a maneira como percebemos algo dirige a maneira como lidamos com este algo é fundamental para que a terapia realmente tenha efeito.

Se o terapeuta não sabe desse quadro, não terá subsídios para ajudar seu paciente, e pior, poderá atrapalhar sua recuperação com suposições erradas, retraumatizando a vítima do relacionamento problemático com uma pessoa com distúrbio de personalidade.


o choque no tribunal

 

A ADVOGADA MEGAN LYONS DESCREVE O MAIOR CHOQUE QUE ALGUÉM SOFRE QUANDO ENFRENTA UM PSICOPATA NO TRIBUNAL

 

Indivíduos portadores de distúrbios de personalidade mentem, culpam e exageram na sua vida particular e profissional, e fazem o mesmo no tribunal. Antecipando o que o oponente irá fazer, você não será cegado; você estará preparado. Como vencer suas táticas e provar a sua verdade?

O maior choque que a pessoa vítima de um indivíduo portador de distúrbio de personalidade sofre é de repente se defrontar com a depravação do seu ex parceiro amoroso ou companheiro de vida. Não há o mínimo de decência humana. O nível de mentiras patológicas está totalmente fora de qualquer padrão de conduta humana que a vítima conhece (e a maioria de nós também). As atitudes de seu ex parceiro amoroso não combinam em nada com o que a vítima pensa que viveu com ele às vezes durante muito tempo. Embora sob juramento, o indivíduo não apresenta nenhum constrangimento em mentir, e esse é o fato principal com que a vítima precisa se preocupar no processo.

O indivíduo com distúrbio de personalidade usa persuasão emocional de forma muito eficiente. Como ele é um ator bem autotreinado e conhece as vulnerabilidades emocionais de seu alvo, que costuma ser uma pessoa muito mais empática, molesta-o como ave de rapina. O ambiente num tribunal já é constrangedor. Há um pesado clima que intimida a vítima, sem contar que ela precisa enfrentar o agressor que se apresenta calmo, senhor da situação, enquanto ela está transtornada, em consequência de um longo processo de abuso psicológico. (A vítima costuma apresentar Síndrome de Distúrbio Pós-Traumático).

Os indivíduos portadores de distúrbios de personalidade como os narcisistas, os psicopatas, os borderline, chegam a ficar bem satisfeitos com tal ambiente, já que sabem usá-lo a seu favor. Eles não se intimidam com tal ambiente, muito pelo contrário, se deliciam em usar a semântica do tribunal para armar suas manipulações, montar uma encenação, induzindo habilmente reações emocionais em suas vítimas, que os favoreçam.

Um bom juiz, se não for ele também portador de distúrbio de personalidade, seria capaz de perceber o que está por trás da encenação, até por ter prática com este tipo de pessoas. Mas nos casos em que, por exemplo, estamos diante de um juiz novo, ou um juiz que não conhece as táticas desse tipo de personalidade, e quando as emoções do juiz também estão sendo usadas para persuadi-lo dos objetivos do agressor, a verdadeira vítima tem quase nula possibilidade de conseguir se fazer entender, muito menos de ser defendida.

Existem várias estratégias legais com as quais podemos nos armar e predizer conduta muito imprevisível.

Se precisar de um advogado para se defender de um psicopata ou outro portador de distúrbio de personalidade, verifique primeiro se ele entende pelo que você passou e quem é a outra parte. Caso contrário, você perderá o processo com certeza.

 

(traduzido por Júlia Bárány de: https://www.youtube.com/watch?v=eaqU-ewn4gY&feature=youtu.be, canal de Donna Andersen)


GRANDIOSIDADE AUTO PROCLAMADA – A TÁTICA DOS ABUSADORES

“Olha que grande sujeito eu sou.” Uma tática que os abusadores empregam – bem debaixo do nariz de todos

 

(Nota do Editor: esta postagem foi contribuição de um leitor de Lovefraud cujo pseudônimo é D2)

 

Tradução por Júlia Bárány (original em: http://www.lovefraud.com/2017/03/03/see-what-a-great-guy-i-am/)

 

O café se enchia rapidamente com pessoas que agarravam seus cafezinhos antes de se dirigir para o escritório. Eu estava sentada com o meu livro e o meu capuchino, passando os olhos pelo ambiente de vez em quando para aliviar meus olhos e depois refocá-los na página. Quando ergui os olhos de novo, percebi um dos barristas conversando atentamente com um homem de meia idade encostado numa parede de cortiça. Eu não conseguia ouvi-los por cima do burburinho dos outros fregueses, mas eles pareciam estar discutindo algo pregado na cortiça.

Nada de interessante acontecendo aqui… exceto algo nesse homem chamou minha atenção, algo de sua linguagem corporal. Ele estava um tanto “aceso” demais, tentando demais ser envolvente e agradável. Parecia uma daquelas cenas de cinema em que o marido encurrala sua esposa na sala quando ela volta cedo para casa e mantém uma conversa em voz alta e exageradamente jovial com ela enquanto a garota com quem ele a estava traindo foge pela janela do quarto por trás dos dois.

E havia mais alguma coisa sobre ele, alguma vibração esquisita emanando dele, que me dava arrepios. Mas a conversa acabou, ele entrou na fila do café e eu voltei ao meu livro.

“Pare com isso! Não tente seus truques comigo!” ouvi segundos depois. Erguendo os olhos, vi uma jovem de traje profissional se virando na fila e olhando chocada para a pessoa atrás dela. Era ele.

“Não tente me aborrecer com os seus truques!” repetiu ele na cara dela, sem gritar, mas alto o bastante para que muitos na sala o ouvissem claramente. Os dois haviam se virado de forma que eu os via de perfil de onde eu estava sentada, e vi a expressão dele. Ele estava se divertindo.

A mulher saiu da fila e achou o mesmo barrista com quem o homem havia conversado antes, levando o barrista até uma mesa a poucos metros da minha. Agitada e aos prantos, ela descreveu o ataque verbal e apontou para o agressor que estava na fila, que parecia nem perceber a cena atrás dele.

“Mas eu acabei de conversar com ele há alguns minutos”, disse o barrista, com um tom um tanto condescendente. “Ele me pareceu um sujeito bom. Vou ficar de olho, se você quiser.”

“Estou arrasada, e nem cheguei ao escritório ainda!” a mulher balbuciou entre soluços, depois se aprumou e saiu do edifício.

Este incidente bizarro pode parecer nada mais que uma versão adulta do “Vamos encrencar VOCÊ com o professor”, mas a falha de reconhecer esta tática em outros contextos é potencialmente letal.

Eis outro exemplo, esse um tanto mais pessoal:

Durante meus anos de universidade, na época em que os telefones celulares eram do tamanho de tijolos e poucos os possuíam, consegui um emprego num restaurante 24 horas. Fui entrevistada à noite depois de sair de outro serviço temporário, e fui contratada na hora. Quando finalmente os formulários e as orientações foram completados e eu podia ir embora, já eram 3 horas da manhã.

Um problema: eu não tinha carro, não tinha mais ônibus, não tinha carona e como eu estava sem um tostão, não podia pagar um táxi. Eu precisava chegar em casa, então decidi que não tinha outra opção a não ser caminhar alguns quilômetros para chegar lá.

Depois de passar por um shopping em frente ao restaurante, continuei por outra rua principal que levava para casa. Caminhando me dei conta de um jovem desalinhado de bicicleta que parecia me seguir. Continuei, apertando o passo. Para o meu alívio, vislumbrei um guarda à frente, provavelmente voltando de seu turno. Mas fiquei horrorizada ao ver o jovem de bicicleta chegar até o guarda e começar uma animada conversa com ele, lançando-me um olhar zombeteiro quando me aproximei. Era como no café – mas ele provavelmente tinha outra intenção além de agressões verbais.

Dei uma volta até a rua principal, planejando voltar ao guarda, mas o homem de bicicleta estava atrás de mim, bloqueando minha passagem, e o guarda desapareceu numa travessa.

O carro de polícia apareceu como por um milagre. Meu perseguidor foi embora imediatamente. O policial parou, eu lhe contei que estava sendo perseguida e ele me levou para casa. Desastre evitado.

 

A Camuflagem do Agressor Social

 

Os dois incidentes exemplificam uma técnica abusiva de “Não é que sou um sujeito maravilhoso”, cujo propósito é criar uma camuflagem social protetora para o agressor.

É muito simples: o agressor visa a vítima e, antes do golpe, todos que circundam a futura vítima que poderiam intervir ou exercer algum poder social contra o agressor são submetidos a um show de encanto e graça. (Bajulando e manipulando indivíduos para que se tornem agressores por tabela é uma assustadora variante comum nesse esquema.) Uma vez que a audiência foi hipnotizada por este subterfúgio social para ver o agressor a uma luz favorável e depois racionalizar – ou desacreditar o relato – qualquer conduta abusadora que possa acontecer em seguida, o agressor pode então atacar com relativa impunidade porque, afinal, “Eu sou um grande sujeito!” (Ou uma!)

Como exemplo de magnitude maior, imagine um predador criando uma imagem socialmente bem fundamentada na arena social ampliada onde ele ou ela caça, e você poderia estar inventando alguém como John Wayne Gacy em seu traje de palhaço ou Ted Bundy (famoso seria killer americano) como voluntário num atendimento telefônico de prevenção ao suicídio.

Eis outro cenário do meu passado, cujas implicações eu gostaria que você ponderasse:

Chegou a época, no seminário do último ano de psicologia, de nos apresentarmos uns aos outros, e os estudantes sentados nervosos aguardavam sua vez de falar. Um dos últimos a falar, um sujeito sorridente de cabelo escuro com uma aura de eletricidade, se colocou na frente da audiência. Decididamente ele não estava nervoso.

Contou que, sozinho, estava projetando e construindo sua própria casa e muitas outras, e ao mesmo tempo cuidando de múltiplos negócios e administrando muitos empreiteiros, e ele tocava seis instrumentos musicais e viajava pelo mundo enquanto trabalhava para obter seu diploma de psicólogo porque ele queria ajudar as pessoas. (Ele engasgou um pouco nesse momento.)

Era um implacável fluxo de “eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, EU.”

Olhei em volta enquanto ele desfiava seus pequenos feitos e percebi que muitas mulheres e até alguns homens – pessoas de 20 a 50 anos de idade – estavam todos encantados. Deslizei meu olhar para o professor que estava quieto ouvindo, com um leve sorriso no rosto e uma expressão nos olhos que eu não consegui distinguir de onde eu estava.

Em seguida, seu finale: ele cantou – aplaudido entusiasticamente.

Eu não aplaudi. Se eles admitissem esse floco no programa de psicólogos, pensei, vou renunciar ao meu diploma.

Agora, pense comigo. Suas exageradas afirmações e a apresentação geral exibiam grandiosidade e foco em si mesmo no mínimo, e nenhuma dessas qualidades é ideal para um terapeuta. A parte assustadora dessa história é que muitos membros da audiência que assistiram a essa apresentação – pessoas que aspiravam a carreiras de aconselhadores e psicólogos – de fato compraram isso, a julgar pelos elogiosos comentários que ouvi enquanto saía da sala no final da aula.

Com esse efeito em muitos membros da audiência em mente, imagine o que acontece quando alguém assim mantém o ato circense em cartaz a ponto de sobreviver a um processo de experiência clínica supervisionada a caminho de uma licença de psicólogo clínico. (Isso acontece!) Um cliente vulnerável, hipnotizado por uma persona extensivamente fabricada que foi validado por um diploma, no mínimo seria manipulado para preencher o desejo do terapeuta com distúrbio de dominação e adulação e pior, estar totalmente exposto para formas mais graves de violação.

 

O Incidente do Café – um Caso de Estupro Psicológico

 

Não digo com tudo isso que alguém com uma imagem social atraente ou uma auto-apresentação confiante esteja necessariamente desviando a atenção de atividades nefastas. Digo apenas que a imagem social ou os relatos sobre si mesmo de um indivíduo não lhe diz quem, ou o que, ele ou ela realmente é. É o estilo e o contexto do envolvimento de alguém com você – é o padrão – que fornece dicas de suas intenções. Nos casos envolvendo a mulher no café e eu, aconteceu o charme prévio antes do incidente, ou pelo menos a tentativa, a fim de isolar um alvo e criar a ilusão de negação.

E quanto à agressão verbal no café: foi um caso de estupro psicológico, em plena luz do dia, às claras, embora o perpetrador não tenha encostado a mão nela. Mas então, ele nem precisou.