relações abusivas


PORQUE PSICOTERAPIA NÃO FUNCIONA COM PORTADORES DE DISTÚRBIOS DE PERSONALIDADE

  

Donna Andersen entrevista Dr. George Simon, psicoterapeuta, autor, transcrição livre por Júlia Bárány (https://www.youtube.com/watch?v=_blTeYKeLRU&feature=youtu.be)

 

A psicoterapia convencional não foi criada para tratar distúrbios de personalidade e sim para tratar indivíduos que estivessem lutando com medos, insegurança, angústias, vergonha, culpa, sobre o que não tinham consciência. Essas ocorrências causam ansiedade e sintomas físicos de ansiedade, e a terapia tinha o objetivo de ajudá-los a descobrir as causas e lidar com elas. Essa é a definição de neurose. Distúrbio de personalidade é algo muito diferente de neurose. É diferente de neurose em múltiplas dimensões, e quanto mais sérios os distúrbios de personalidade tanto mais sérias as diferenças dos problemas que as pessoas neuróticas têm e com os quais precisam de ajuda.

Alguns padrões de pensamento que os portadores de distúrbios de personalidade manifestam são: egocentrismo e megalomania – ele/ela é tão especial e importante que pode fazer qualquer coisa. Junto com isso, vem a convicção de que ele/ela tem o direito de fazer o que quer fazer num relacionamento sem arcar com as consequências. O modo como pensamos afeta o nosso comportamento. Portanto, o comportamento dessas pessoas advém dessa premissa, e por isso a total desconsideração com o outro.

Outro exemplo é a possessividade. Considerar os outros ou aquilo que ele/ela quer como suas exclusivas propriedades faz com que essa pessoa aja como bem entender em relação a essas “propriedades”. Esse modo de pensar é muito comum especialmente numa relação de abuso. O outro, nesse tipo de relacionamento, é um objeto utilitário e não uma pessoa a ser respeitada.

Os terapeutas precisam conhecer esses mecanismos para saberem como ajudar a vítima. É um problema extremamente difícil, e as abordagens tradicionais de fazer o paciente “olhar para dentro”, de convencê-lo de que o problema é dele, não ajudam.

Entender que a maneira como percebemos algo dirige a maneira como lidamos com este algo é fundamental para que a terapia realmente tenha efeito.

Se o terapeuta não sabe desse quadro, não terá subsídios para ajudar seu paciente, e pior, poderá atrapalhar sua recuperação com suposições erradas, retraumatizando a vítima do relacionamento problemático com uma pessoa com distúrbio de personalidade.